O que a Bíblia diz sobre aborto?


aborto e pecado

O tema aborto sempre foi uma questão polêmica, gerando debates acalorados entre diversos grupos e dividindo opiniões dentro e fora da igreja. Mas o que será que a Bíblia diz sobre o assunto?

Bem, pouca coisa. A única passagem bíblica que fala sobre um aborto sendo praticado é a seguinte:

"Se alguns homens brigarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, não resultando, porém, outro dano, este certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e pagará segundo o arbítrio dos juízes; mas se resultar dano, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe" (Almeida Revisada Imprensa Bíblica; Êxodo 21,22-25).

Este texto não deixa claro se o aborto praticado pelo homem nesse caso é do tipo intencional ou acidental, mas podemos concluir que seja do tipo intencional, pois as passagens de Números 35,9-34 e Deuteronômio 19,1-13 esclarecem que a pessoa que mata alguém sem querer não deve receber a pena de morte.

De qualquer forma, essa passagem nos dá a entender que a vida da mãe vale mais do que a vida de um feto, pois podemos ver que se o homem acabasse matando apenas o bebê, ele só teria que pagar uma indenização, mas se ele acabasse matando a mulher, ele teria que receber a pena de morte.

Essa diferenciação de penas também nos leva a concluir que a prática do aborto não pode ser considerada tão grave quanto a prática de matar alguém já nascido. Porém, não é sensato usarmos essa passagem para afirmar que Deus considera como um pecado leve qualquer espécie de aborto intencional, pois é possível que Deus considere como mais grave o caso de aborto planejado devido a uma gravidez indesejada, podendo até mesmo considerar esse tipo de aborto como um descumprimento do mandamento de não matar.

Alguns alegam que não há problema em praticar o aborto nas primeiras semanas de gravidez, porque o feto ainda não está formado. No entanto, embora o feto ainda não esteja formado, ele já está em processo de formação durante esse período. Não há como sabermos se Deus permite ou não um aborto logo no início da gestação ou até que estágio da gestação ele permitiria esse aborto.


Legalização do aborto

Existem muitos grupos a favor da legalização do aborto. Esses grupos alegam que a legalização evitaria muitas mortes, já que as mulheres poderiam procurar centros especializados para abortar em vez de ir a clínicas clandestinas. Mas o que esses grupos deveriam considerar é que ao mesmo tempo em que a legalização diminuiria o número de mortes de mulheres, ela aumentaria muito o número de mortes de bebês. Afinal, se o número de abortos já é grande hoje, imagine após a legalização.

É lógico que esses grupos não veem nada de mal na prática do aborto, mas pelo ponto de vista bíblico, o ideal seria que essas mulheres mudassem de ideia e desistissem de abortar, evitando assim interromper a vida de seus próprios bebês e por em risco a própria vida. Ou seja, a legalização não é a melhor solução. A solução ideal é a conscientização dessas mulheres para que elas aceitem essa visão bíblica sobre o aborto.


Os motivos para a prática do aborto

Existem vários motivos pelos quais uma mulher decide praticar um aborto. No entanto, alguns motivos dividem opiniões, e é sobre eles que vou falar a seguir.


Aborto em caso de deficiência do bebê

Hoje, graças ao avanço da tecnologia, os casais conseguem saber com bastante antecedência se seus bebês terão alguma deficiência, com uma porcentagem baixa de erro. Por outro lado, esse avanço tecnológico fez o número de abortos aumentar, pois muitos casais decidem interromper a gravidez após descobrirem que seus filhos nascerão deficientes.
Esse é um dos tipos de aborto que mais geram revolta, porque os pais geralmente decidem interromper a vida do bebê porque não querem ter um filho deficiente e também por causa das dificuldades que teriam que enfrentar. Alguns pais podem até alegar que na verdade estão fazendo o bem, pois estão evitando que o bebê venha para este mundo de sofrimento e sofra ainda mais por causa de sua deficiência. Entretanto, esses pais precisam entender que foi Deus quem determinou que eles teriam que passar pela dificuldade de ter um filho deficiente. Se eles tentarem fugir dessa determinação praticando o aborto, Deus pode muito bem determinar uma outra dificuldade para eles passarem. Não adianta tentar fugir da vontade de Deus.

Obs.: Se você quiser entender melhor por que Deus permite o sofrimento, você pode ler este artigo.


Aborto em caso de risco de morte da mãe

Nesse tipo de aborto os pais decidem interromper a vida do bebê para que a mãe não corra o risco de morrer. É uma decisão delicada, mas compreensível, uma vez que o sofrimento causado pela morte do bebê geralmente é muito menor que o sofrimento gerado pela morte da mãe. Por outro lado, sempre há uma chance de a mãe e o bebê sobreviverem. Ou seja, os pais que praticam esse tipo de aborto têm que encarar a possibilidade de estarem interrompendo a vida de seu bebê sem necessidade.

Antigamente, as pessoas não costumavam praticar esse tipo de aborto, já que os médicos não tinham tecnologia para diagnosticar os riscos que os fetos podiam causar às mães. Mas podemos nos perguntar: será que os santos casais da Bíblia praticariam esse tipo de aborto? Será que Deus considera essa prática como um pecado ou algo tolerável devido ao sofrimento que a possível morte da mãe traria a todos os familiares?

Não podemos simplesmente aplicar nesse caso o mandamento "não matarás", pois a decisão de não matar o bebê pode matar a mãe, ou até mesmo a mãe e o bebê. Não seria melhor salvar pelo menos uma vida? Os judeus ortodoxos, que conhecem muito bem a lei de Deus, ensinam que não é pecado praticar esse tipo de aborto, pois nesse caso deve-se dar preferência à vida da mãe.

Alguns podem querer simplificar dizendo que nesse caso devemos deixar nas mãos de Deus e esperar que aconteça o que ele determinar. Isso faz sentido e é totalmente aceitável, pois era assim que funcionava antigamente. Os pais só sabiam o que iria acontecer após o nascimento. Mas hoje a situação é um pouco diferente. Coloque-se no lugar de um pai que acabou de receber a seguinte notícia de um médico: se nós não fizermos o aborto, sua esposa tem 99% de chance de morrer durante o parto. O que você faria?

Você pode até insistir na ideia de deixar nas mãos de Deus. Mas e os outros familiares de sua esposa? Eles aceitam, assim como você, deixá-la correndo um risco enorme de morrer? Se eles não aceitam, você não estaria sendo egoísta? E sua esposa, ela quer correr esse risco? De qualquer modo, não há pecado nenhum se todos os familiares, incluindo a própria mãe que está correndo risco de vida, quiserem deixar nas mãos de Deus.

O fato é que não há como termos certeza se Deus condena ou não esse tipo de aborto.


Aborto em caso de estupro

Esse é um outro tipo delicado de aborto. Uma mulher que é estuprada geralmente não quer ter um filho de um monstro estuprador. Se ela acabar tendo esse filho, as pessoas sempre vão querer saber quem é o pai, e o filho mais cedo ou mais tarde também vai querer saber sobre o pai. Essas situações trarão a essa mulher constrangimento e também a terrível lembrança do episódio. Mesmo assim, não há como termos certeza se Deus permite ou não o aborto nesse caso. Por isso, é melhor que a mulher evite esse tipo de aborto.


Conclusão

Praticar aborto é pecado, mas não um pecado tão grave quanto matar alguém já nascido. Por outro lado, a Bíblia não fala sobre o que fazer nos casos delicados que vimos. De qualquer forma, o ideal é que a mulher não interrompa a vida de seu bebê, mas só Deus poderá julgar, condenar ou absolver as mulheres que abortaram.

Se você estiver pensando em fazer um aborto, pense que você está querendo interromper a vida de seu próprio filho, alguém que você muito provavelmente vai adorar receber nos braços e que você vai amar muito. Você aceitaria mandar tirar a vida de seu filho logo após ele nascer? Caso a sua resposta seja não, então por que você está querendo interromper a vida dele antes de ele nascer? Ele está aí na sua barriga, ele precisa de cuidado e amor. Não faça mal a ele. Deus certamente vai lhe recompensar por sua decisão de salvar a vida de seu filho.

E você? Já conhecia essa abordagem bíblica sobre o aborto? Deixe seu comentário abaixo. Terei prazer em respondê-lo.

A maldade do adultério no pensamento


homens olhando com desejo sexual para uma mulher

O pecado do adultério começa na mente. Primeiro surge o desejo, e depois, se a pessoa não resiste a ele, o ato é concretizado. Mas poucos sabem que o simples ato de uma pessoa desejar cometer adultério, mesmo que ela não concretize o ato, faz com que ela se torne adúltera.

Quem nos ensinou isso foi Jesus, veja:

"Vocês ouviram o que foi dito: 'Não adulterarás'. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração" (Nova Versão Internacional; Mateus 5,27-28).

O adultério no pensamento acontece quando uma pessoa casada olha com desejo sexual para qualquer pessoa que não seja seu cônjuge, ou também quando uma pessoa solteira olha com desejo sexual para uma pessoa casada. É importante ressaltar que a pessoa solteira que olha com desejo sexual para alguém que também é solteiro não está cometendo adultério no pensamento, pois nesse caso ela não está se envolvendo com alguém casado.

Todos os dias diversas pessoas ao redor do mundo cometem o adultério no pensamento. E para piorar a situação, há muitas pessoas que adoram se vestir e se comportar de maneira sensual, o que colabora ainda mais com o aumento desse pecado.

É lógico que as consequências desse tipo de adultério não são as mesmas daquele em que a pessoa é descoberta por seu cônjuge, o que envolve muitas vezes a separação do casal, sofrimento de ambas as partes, principalmente de quem foi traído.

Por outro lado, o adultério no pensamento é tão grave quanto aquele em que a pessoa concretizou o ato e a pessoa traída nunca ficou sabendo, pois em ambas as situações o traidor faltou com a fidelidade e o respeito para com seu cônjuge e cometeu algo detestável aos olhos de Deus.

Mesmo assim, muitos casados que cometem esse tipo de adultério acham que não estão pecando ao fazer isso. Para estes eu proponho o seguinte desafio: conte para seu cônjuge que você desejou ter relações sexuais com uma certa pessoa e que você gostou muito de imaginar a cena. Pode ter certeza que seu cônjuge vai se sentir tão traído quanto se você tivesse concretizado o ato.

E para os homens solteiros que também cometem esse tipo de adultério eu proponho o seguinte desafio: vá até o marido de uma mulher que você desejou e conte a ele que você desejou a mulher dele sexualmente. É bem provável que você vá apanhar, ser xingado ou até mesmo morrer. O mesmo desafio eu proponho para as mulheres solteiras que também cometem adultério no pensamento.

Esses desafios que eu propus servem para ilustrar a maldade envolvida nesse tipo de adultério. Servem para que a pessoa que comete esse tipo de pecado perceba que ela está fazendo algo que traria muita decepção e tristeza a certas pessoas, caso elas soubessem.

No entanto, mesmo que a pessoa traída nunca fique sabendo, Deus sempre fica sabendo de tudo. As pessoas que cometem esse pecado serão culpadas de adultério perante Deus, e no dia do julgamento final elas terão que responder por isso e cumprir a sentença que Deus der a elas.

E você? Já conhecia o pecado do adultério no pensamento? Deixe seu comentário abaixo. Terei prazer em respondê-lo.

O significado das frases do Pai Nosso


O Pai Nosso na Bíblia de Jerusalem

Orar o Pai Nosso é um dever na vida dos cristãos. E orá-lo é um hábito na vida de muitos deles. Aliás, é um hábito tão comum que às vezes a pessoa acaba o orando de forma automática, sem mesmo prestar atenção ao significado de suas frases. Mas será que Deus acha agradável quando as pessoas oram o Pai-Nosso dessa forma?

Certamente não. O Pai Nosso é uma oração especial, ensinada pelo próprio Senhor Jesus, e repleta de pedidos essenciais para nossa vida presente e também futura. Ao orá-lo nós devemos prestar atenção ao significado de cada uma de suas frases, temos que entender o que estamos pedindo a Deus. Para ajudar você a entender melhor essa oração, explicarei a seguir o significado de cada uma de suas frases, veja:

"Pai Nosso que estás nos céus"

Essa frase não precisa de muitas explicações. É a abertura da oração. É uma forma solene de invocar o criador do universo, o Pai, para que ele escute o que vamos dizer em seguida.

"Santificado seja o teu nome"

Nessa frase nós pedimos a Deus para que seu próprio nome seja glorificado e louvado, isto é, que as pessoas louvem e reconheçam a Deus como o Todo-Poderoso e digno de louvor e santificação.

"Venha o teu reino"

Aqui nós pedimos o fim deste mundo de sofrimento e o estabelecimento do reino de Deus, um reino no qual não haverá mais morte, nem sofrimento, nem dor, mas apenas paz e felicidade a todos que forem dignos de participarem deste reino.

"Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu"

Nessa frase nós pedimos que as coisas aconteçam de acordo com a vontade de Deus, isto é, que tanto na terra como no céu aconteça apenas o que ele quer que aconteça. Afinal, como Deus é o ser mais sábio e perfeito que existe, tudo o que acontece por determinação dele é a melhor coisa que poderia acontecer.
"O pão nosso de cada dia nos dá hoje"

Aqui nós pedimos que Deus nos dê o sustento necessário para o nosso dia a dia. Trata-se de um pedido humilde, pois poderíamos pedir riqueza ao invés de apenas o necessário para a nossa sobrevivência. Mas Deus gosta de pedidos humildes.

"Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores"

A palavra "dívidas" nessa frase deve ser entendida como "pecados" ou "ofensas", assim como vemos na versão de Lucas, que escreveu: "perdoe os nosso pecados" (cf. Lucas 11,4). Nessa parte da oração nós pedimos que Deus perdoe os nossos pecados ou ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que pecaram contra nós ou nos ofenderam. É importante ressaltar que se você não perdoa aqueles que pecam contra você ou o ofendem, você não deve orar esse trecho da oração, pois você estaria mentindo e sendo hipócrita para Deus.

"E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal"

Nessa parte final nós pedimos que Deus não nos leve a situações nas quais seremos tentados, mas sim que ele nos livre do mal ou, conforme algumas traduções, que ele nos livre do maligno, que é o tentador. A forma "não nos deixeis cair em tentação" não é a tradução correta do texto original.


Observação final

O trecho "porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre", que aparece no final do Pai Nosso em algumas versões, não pertence ao texto original.

E você? Já conhecia o significado das frases do Pai Nosso? Deixe seu comentário abaixo. Terei prazer em respondê-lo.

Qual versão do Pai Nosso os cristãos devem orar?


Missa para as crianças de um hospital

Nós cristãos devemos orar o Pai Nosso. No entanto, não existe apenas uma versão do Pai Nosso, e é importante nós sabermos qual é a versão mais fiel à original. A versão mais conhecida é a versão católica, que é a seguinte:

"Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, amém."

Trata-se mais ou menos da versão da passagem de Mateus 6,9-13 com algumas modificações e acréscimos. Mas será que essa é a versão mais fiel ao Pai Nosso original que Jesus nos ensinou? Para responder essa pergunta, precisamos primeiramente analisar alguns detalhes importantes.


Qual Pai Nosso devemos orar: o do evangelho de Mateus ou o de Lucas?

No evangelho de Lucas (cf. Lucas 11,1-4) a oração do Pai Nosso é mais curta que a do evangelho de Mateus (cf. Mateus 6,9-13). Infelizmente, não há como afirmar com certeza qual das versões é a original. Afinal, é possível que Mateus tenha acrescentado frases à oração encontrada no evangelho de Lucas por achar a versão muito curta. Assim como é possível que Lucas tenha encurtado a versão presente em Mateus por achar a oração muito longa.

Por via das dúvidas, é melhor nós orarmos a versão de Mateus. Assim não corremos o risco de orar um Pai Nosso incompleto. E caso a versão de Lucas seja a original, Deus vai nos perdoar por nossa boa intenção.


Divergências entre as traduções

Você pode ter notado que versões evangélicas da Bíblia, tais como a Almeida Corrigida e Fiel e a Nova Versão Internacional, acrescentam a seguinte frase no final do Pai Nosso: "Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém". Acontece que a maioria dos especialistas em manuscritos bíblicos não considera esse trecho como parte do texto original de Mateus, mas sim como um acréscimo inserido posteriormente por escribas que copiavam os textos sagrados. Os manuscritos mais antigos e mais confiáveis não contêm esse trecho (cf. Nicholas Ayo, The Lord's Prayer: A Survey Theological and Literary, Universidade de Notre Dame Press, 1993, página 7. E também David E. Aune, The Blackwell Companion to the New Testament, Blackwell, 2010, página 299). Você pode acrescentar esse frase ao orar o Pai Nosso, mas saiba que ao fazer isso você está orando algo inventado por homens pecadores, e não por Jesus.


Falando ainda sobre divergências, algumas versões traduzem Mateus 6,12 com a forma "perdoe as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores", enquanto a versão católica usa a forma "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". O texto original usa de fato as palavras "dívidas" e "devedores". Entretanto, a palavra "dívidas" deve ser entendida como "pecados ou ofensas", assim como se vê em Lucas 11,4. Portanto, você pode orar essa parte do Pai Nosso conforme a versão que você achar melhor.

Existe ainda um outro detalhe importante sobre a versão correta do Pai Nosso. Trata-se do trecho que diz: "E não nos deixeis cair em tentação". A verdade é que o texto original diz o seguinte: "E não nos conduza à tentação". A forma "não nos deixeis cair em tentação" acabou virando a forma mais conhecida, mas é melhor nós orarmos conforme o original. Afinal, Deus deixar uma pessoa cair em tentação é uma coisa. Deus conduzir uma pessoa à tentação é outra.

Talvez, muitas versões preferiram traduzir com a forma "não nos deixeis cair em tentação" por achar que a versão original contradiz a passagem que afirma que Deus não tenta ninguém (cf. Tiago 1,13). Entretanto, a passagem original não pede que Deus não nos tente, mas sim que ele não nos conduza à tentação, isto é, que ele não nos leve a situações nas quais seremos tentados. Um exemplo disso foi quando Deus conduziu Jesus ao deserto para ser tentado pelo diabo (cf. Mateus 4,1).


Conclusão

A versão católica não é a versão mais fiel ao Pai Nosso original que Jesus nos ensinou. Porém, ela se aproxima bastante do original, e não é pecado orarmos essa versão. A versão evangélica também não é a mais fiel, pois contém aquela parte final que não faz parte do texto original. Portanto, se você quiser orar da forma mais fiel ao texto original, você deve orar o Pai Nosso da seguinte forma:

"Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos conduza à tentação, mas livra-nos do mal."

E se você quiser entender melhor o significado de cada frase do Pai Nosso, você pode ler este artigo.

E você? Já sabia orar a versão correta do Pai Nosso? Deixe seu comentário abaixo. Terei prazer em respondê-lo.

O que a Bíblia diz sobre os dinossauros?


Modelo de Alossauro

A ciência confirma que os dinossauros existiram. Inclusive, vários museus contêm fósseis desses seres pré-históricos. Mas o que será que a Bíblia diz sobre eles?

A Bíblia não cita exatamente a palavra dinossauros, até porque essa palavra nem existia na época em que os textos bíblicos foram escritos, mas ela fala com bastante detalhes sobre uma possível espécie de dinossauro no capítulo 41 do livro de Jó. Você pode ler o capítulo completo na sua bíblia, se quiser. Aqui vou destacar apenas as passagens mais importantes na descrição desse animal, veja:

"Você consegue pescar com anzol o leviatã ou prender sua língua com uma corda? [...] Seu forte sopro atira lampejos de luz; seus olhos são como os raios da alvorada. Tições saem da sua boca; fagulhas de fogo estalam. Das suas narinas sai fumaça como de panela fervente sobre fogueira de juncos. Seu sopro faz o carvão pegar fogo, e da sua boca saltam chamas [...] A espada que o atinge não lhe faz nada, nem a lança nem a flecha nem o dardo. Ferro ele trata como palha, e bronze como madeira podre [...] Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente, e revolve o mar como pote de unguento" (Jó 41,1.18-21.26-27.31; Nova Versão Internacional).

Alguns tentam identificar o Leviatã como sendo o crocodilo, o que é possível, desde que consideremos a descrição que mostrei acima como simbólica, pois sabemos que crocodilos não lançam fogo pela boca, não soltam fumaça pelas narinas, não têm pela à prova de perfuramento e nem fazem ferver o fundo do mar. Mas se essa descrição for literal, podemos supor que o Leviatã tenha sido uma espécie de dinossauro que já existiu em nosso planeta.

O texto apócrifo de Daniel 14,23-27 também fala sobre uma possível espécie de dinossauro, veja:

"Havia um dragão enorme adorado pelos babilônios. O rei disse a Daniel: 'Você não vai me dizer que ele é de bronze; está vivo, come e bebe. Você não pode negar que é um deus vivo. Então, adore-o também'. Daniel respondeu: 'Só adoro ao Senhor meu Deus, porque ele é o Deus vivo. Se Vossa Majestade permitir, eu mato este dragão sem espada e sem porrete'. O rei disse: 'A licença está concedida'. Daniel pegou piche, sebo e crinas, cozinhou tudo junto, fez com aquilo uns bolos e jogou na boca do dragão. Ele engoliu aquilo e se arrebentou. Então Daniel disse: 'Vejam o que vocês adoravam!" (Bíblia Pastoral).

Essa passagem é reconhecida pela igreja católica como inspirada por Deus, e faz parte de um texto grego que foi acrescentado ao livro original de Daniel. Embora a maioria das religiões que creem na Bíblia não reconheçam esse texto como inspirado, só Deus sabe se essa história é verídica ou não. Afinal, quem determinou quais livros são ou não inspirados por Deus foram homens, que, como qualquer um de nós, também eram sujeitos a falhas. Talvez esse texto seja realmente inspirado por Deus, e esses homens falharam em determinar que ele não era.

Embora a Bíblia não cite outra espécie de animal tão incrível quanto o Leviatã e esse dragão, e nem fale sobre o surgimento ou a extinção dos dinossauros, é perfeitamente possível ter existido muitas outras espécies de dinossauros.

Mas há um detalhe importante. A ciência afirma que os dinossauros viveram na Terra milhões de anos antes de o homem existir. Já a Bíblia diz que homens e animais foram criados no sexto dia e começaram a viver juntos na Terra desde então. Se os seis dias da criação narrados no começo da Bíblia foram dias literais de 24 horas, a teoria da preexistência de milhões de anos dos dinossauros deve ser descartada, pois homem e dinossauros viveram juntos na Terra.

Por outro lado, se os seis dias da criação não foram dias literais de 24 horas, mas sim períodos de milhões ou até bilhões de anos, a teoria da ciência não pode ser descartada, pois a narrativa bíblica do sexto dia da criação mostra os animais sendo criados antes do homem (cf. Gênesis 1,24-31), o que torna possível ter havido um intervalo de milhões de anos entre a criação dos dinossauros e a do homem.

E você? Já conhecia essas criaturas narradas na Bíblia? Deixe seu comentário abaixo. Terei prazer em respondê-lo.