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O que a Bíblia diz sobre o suicídio?


o que a biblia diz sobre o suicidio

É normal as pessoas concluírem de imediato que o suicídio é pecado. Afinal, um dos dez mandamentos nos ordena a não matar (cf. Êxodo 20,13), e o suicida mata a si mesmo. Mas o interessante é que nenhuma passagem da Bíblia condena especificamente o suicídio.

A Bíblia relata episódios em que pessoas se mataram, mas não há nenhuma passagem reprovando alguém por ter se matado. Mas será que isso significa que a Bíblia não condena o suicídio?

O caso mais conhecido de suicídio foi o de Sansão, um valente juiz de Israel, conhecido pela sua grande força, cuja fonte estava em seus cabelos. Seus inimigos filisteus cortaram seus cabelos, fazendo-o perder as forças, e após o terem capturado, furaram seus dois olhos. Então Sansão decidiu se suicidar para se vingar enquanto os filisteus zombavam dele em um templo, veja:

"Homens e mulheres lotavam o templo; todos os líderes dos filisteus estavam presentes, e no alto, na galeria, havia cerca de três mil homens e mulheres vendo Sansão, que os divertia. E Sansão orou ao Senhor: 'Ó Soberano Senhor, lembra-te de mim! Ó Deus, eu te suplico, dá-me forças, mais uma vez, e faze com que eu me vingue dos filisteus por causa dos meus dois olhos!' Então Sansão forçou as duas colunas centrais sobre as quais o templo se firmava. Apoiando-se nelas, tendo a mão direita numa coluna e a esquerda na outra, disse: 'Que eu morra com os filisteus!' Então, ele as empurrou com toda a força, e o templo desabou sobre os líderes e sobre todo o povo que ali estava. Assim, na sua morte, Sansão matou mais homens do que em toda a sua vida" (Nova Versão Internacional; Juízes 16,27-30).

O interessante é que o próprio Deus concedeu forças novamente a Sansão para ele poder se matar e assim se vingar de seus inimigos.

Existem também mais alguns casos de pessoas importantes que se suicidaram para não serem zombadas pelos seus inimigos. O primeiro foi o de Saul, famoso rei de Israel, e seu escudeiro. O segundo foi o de Zambri, que também era rei de Israel, veja:

"Todo o peso do combate se concentrou sobre Saul. Os arqueiros o surpreenderam e o feriram gravemente. Então Saul disse ao escudeiro: 'Desembainhe a espada e me atravesse, antes que esses incircuncisos cheguem e caçoem de mim'. O escudeiro ficou apavorado e não quis obedecer. Então Saul pegou a espada e atirou-se sobre ela. Vendo que Saul estava morto, o escudeiro também se jogou sobre sua espada e morreu com Saul" (Bíblia Pastoral; 1 Samuel 31,3-6).

"Quando Zambri viu que a cidade ia ser tomada, entrou na cidadela do palácio real, pôs fogo no palácio, estando lá dentro, e morreu" (Bíblia de Jerusalém; 1 Reis 16,18).

Esses três episódios parecem nos levar à conclusão de que não é pecado uma pessoa se suicidar para se livrar de uma humilhação vinda de inimigos. O fato de Deus ter atendido o pedido de Sansão parece comprovar essa conclusão. 

É lógico que o ideal seria que essas pessoas não tivessem se suicidado, conseguindo escapar de seus inimigos de alguma maneira, mas elas sabiam que elas não conseguiriam escapar e que iriam morrer de qualquer jeito nas mãos deles. Talvez seja por isso que a Bíblia não tenha deixado nenhum registro de reprovação a essas pessoas por elas terem se suicidado.

Há ainda mais dois casos diferentes de suicídio na Bíblia. O primeiro é o de Aitofel, conselheiro de Davi. Os conselhos de Aitofel eram considerados como se fossem palavras do próprio Deus (cf. 2 Samuel 16,23). Aitofel decidiu se matar após um de se seus conselhos não ter sido seguido, veja:

"Vendo Aitofel que o seu conselho não havia sido aceito, selou seu jumento e foi para casa, para a sua cidade natal; pôs seus negócios em ordem, e depois se enforcou. Ele foi sepultado no túmulo de seu pai" (Nova Versão internacional; 2 Samuel 17,23).

O segundo caso é o do traidor de Jesus, Judas. Ele resolveu se suicidar depois de ter entregado Jesus para os judeus, veja:

"Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar" (Almeida Corrigida e Fiel; Mateus 27,3-5).

Não há como saber se Deus reprovou ou não Aitofel ou Judas por terem se suicidado.

O fato de Deus nos proibir matar não significa necessariamente que ele condene o suicídio. Como vimos, ele colaborou com o suicídio de Sansão. 

Além disso, o mandamento de "não matar" deve ser entendido como "não matar uma pessoa sem motivo justo", e não exatamente "não matar qualquer pessoa sob nenhuma circunstância, incluindo a si mesmo". 

A Bíblia deixa claro que Deus mandava os israelitas matarem seus inimigos que eram perversos e não seguiam a Deus (cf. Deuteronômio 20,10-18). A própria lei de Deus mandava os israelitas matarem até mesmo seus próprios irmãos que cometiam pecados graves, como idolatria, desrespeito aos pais, adultério etc (cf. Deuteronômio 13,6-10; 21,18-21; 22,22).

É importante ressaltar que hoje em dia os judeus não seguem mais essa lei de matar. E mesmo quando eles seguiam a ordem de matar um irmão pecador, por exemplo, eles tinham que levar o irmão a um julgamento perante a comunidade antes de a sentença ser executada.

Hoje em dia você não pode sair por aí matando seus inimigos que não seguem a Deus, e muito menos um irmão seu, que seja pecador. Isso só podia ser feito nos tempos bíblicos e na Terra de Israel, onde havia o Templo de Deus e juízes designados para o julgamento.

Mas e quanto a matar a si mesmo? Bom, quanto a isso não há como nós termos certeza se Deus considera um motivo justo a pessoa se matar por não querer mais viver nas condições em que se encontra, e nem se isso seria permitido hoje em dia.

E o que dizer daquelas pessoas que se mataram porque perderam a pessoa que elas mais amavam, ou porque perderam tudo o que tinham, ou porque estavam sentindo uma tristeza insuportável e que não viam mais sentido nenhum em continuar vivendo? Você condenaria essas pessoas por terem feito isso?

E aquelas pessoas que decidiram pular do World Trade Center durante os ataques terroristas de 11 de setembro para não morrerem queimadas ou asfixiadas? Esse é um outro tipo de suicídio que provavelmente Deus não condena.

Os autores da Bíblia não ousaram condenar ninguém por ter se suicidado, e nós devemos fazer o mesmo. Só Deus conhece o coração e as razões de cada um. Só ele poderá julgar, absolver ou condenar aqueles que cometeram suicídio.

E você? Já conhecia essa abordagem bíblica sobre o suicídio? Deixe seu comentário abaixo. Terei prazer em respondê-lo.

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