Pular para o conteúdo principal

Qual versão do Pai Nosso os cristãos devem orar?



Nós cristãos devemos orar o Pai Nosso, e ao orá-lo, devemos também prestar atenção ao significado de cada uma de suas frases. No entanto, não existe apenas uma versão do Pai Nosso, e é importante nós sabermos qual é a versão mais fiel à original. A versão mais conhecida é a versão católica, que é a seguinte:

"Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, amém."

Trata-se mais ou menos da versão da passagem de Mateus 6,9-13 com algumas modificações e acréscimos. Mas será que essa é a versão mais fiel ao Pai Nosso original que Jesus nos ensinou? Para responder essa pergunta, precisamos primeiramente analisar alguns detalhes importantes.

Qual Pai Nosso devemos orar: o do evangelho de Mateus ou o de Lucas?

No evangelho de Lucas (cf. Lucas 11,1-4) a oração do Pai Nosso é mais curta que a do evangelho de Mateus (cf. Mateus 6,9-13). Infelizmente, não há como afirmar com certeza qual das versões é a original. Afinal, é possível que Mateus tenha acrescentado frases à oração encontrada no evangelho de Lucas por achar a versão muito curta. Assim como é possível que Lucas tenha encurtado a versão presente em Mateus por achar a oração muito longa.

Por via das dúvidas, é melhor nós orarmos a versão de Mateus. Assim não corremos o risco de orar um Pai Nosso incompleto. E caso a versão de Lucas seja a original, Deus vai nos perdoar por nossa boa intenção.

Divergências entre as traduções

Você pode ter notado que versões evangélicas da Bíblia, tais como a Almeida Corrigida e Fiel e a Nova Versão Internacional, acrescentam a seguinte frase no final do Pai Nosso: "Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém". Acontece que a maioria dos especialistas em manuscritos bíblicos não considera esse trecho como parte do texto original de Mateus, mas sim como um acréscimo inserido posteriormente por escribas que copiavam os textos sagrados. Os manuscritos mais antigos e mais confiáveis não contêm esse trecho (cf. Nicholas Ayo, The Lord's Prayer: A Survey Theological and Literary, Universidade de Notre Dame Press, 1993, página 7. E também David E. Aune, The Blackwell Companion to the New Testament, Blackwell, 2010, página 299). Você pode até acrescentar esse frase ao orar o Pai Nosso, mas saiba que ao fazer isso você está orando um Pai Nosso diferente do que Jesus ensinou.

Falando ainda sobre divergências, algumas versões traduzem Mateus 6,12 com a forma "perdoe as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores", enquanto a versão católica usa a forma "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". O texto original de Mateus usa de fato as palavras "dívidas" e "devedores". Entretanto, a palavra "dívidas" deve ser entendida como "pecados ou ofensas", conforme você pode conferir em Lucas 11,4. Portanto, você pode orar essa parte do Pai Nosso conforme a versão que você achar melhor.

Existe ainda um outro detalhe importante sobre a versão correta do Pai Nosso. Trata-se do trecho que diz: "E não nos deixeis cair em tentação". A verdade é que o texto original diz o seguinte: "E não nos conduza à tentação". A forma "não nos deixeis cair em tentação" acabou virando a forma mais conhecida, mas é melhor nós orarmos conforme o original. Afinal, Deus deixar uma pessoa cair em tentação é uma coisa. Deus conduzir uma pessoa à tentação é outra.

É possível que muitas versões tenham preferido traduzir com a forma "não nos deixeis cair em tentação" por achar que a versão "não nos conduza à tentação" contradiz a passagem que afirma que Deus não tenta ninguém (cf. Tiago 1,13). Entretanto, essa versão não pede que Deus não nos tente, mas sim que ele não nos conduza à tentação, isto é, que ele não nos leve a situações nas quais seremos tentados. Um exemplo disso foi quando Deus conduziu Jesus ao deserto para ser tentado pelo diabo (cf. Mateus 4,1).

Conclusão

A versão católica não é a versão mais fiel ao Pai Nosso original que Jesus nos ensinou. Porém, ela se aproxima bastante do original, e não é pecado orarmos essa versão. A versão evangélica também não é a mais fiel, pois contém aquela parte final que não faz parte do texto original. Portanto, se você quiser orar da forma mais fiel ao texto original, você deve orar o Pai Nosso da seguinte forma:

"Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores (ou perdoe as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido). E não nos conduza à tentação, mas livra-nos do mal."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O grave pecado do sexo no período menstrual

Fazer sexo durante o período menstrual é um pecado grave. Deus instituiu uma lei proibindo essa prática, veja:
"Não se aproxime de uma mulher para se envolver sexualmente com ela quando ela estiver na impureza da sua menstruação" 
(Levítico 18:19; Nova Versão Internacional).
Deus chegou até a determinar a pena de morte para os casais que fizessem sexo durante a menstruação, veja:
"Se um homem dormir com uma mulher durante a menstruação, e tiver relações sexuais, descobrindo a fonte do sangue, os dois serão eliminados do seu povo"
(Levítico 20:18; Edição Pastoral).
Embora a pena de morte por esse pecado não seja mais aplicada da forma como era aplicada nos tempos bíblicos, Deus ainda pode aplicá-la hoje em dia por meio de doenças ou outras tragédias. Portanto, nós devemos tomar muito cuidado para não cometermos esse pecado grave.

Mesmo assim, muitos casais cristãos não veem problema algum em ter relações sexuais durante o período menstrual, inclusive vários médicos a…

Os mandamentos que devemos cumprir segundo a Bíblia

Ame a Deus com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento, e com todas as suas forças (Deuteronômio 6:5; Marcos 12:28-30).Não tenha outros deuses (Êxodo 20:3; 1 João 5:21).Não faça para você alguma imagem esculpida que represente um deus. Não se prostre diante dessas imagens e nem diante do Sol, da Lua e das estrelas, e não os sirva (Êxodo 20:4-5; Deuteronômio 4:19; 1 João 5:21).Não use o nome de Deus em vão, isto é, não use o nome de Deus para fazer um falso juramento ou para mentir, pois Deus não considerará inocente aquele que usar seu nome em vão. É importante notar que o nome de Deus não é "Deus", mas sim Javé. No entanto, mesmo que você faça um falso juramento sem usar especificamente o nome de Javé, dizendo, por exemplo, "Juro por Deus que vou fazer isso" ou "Juro por Deus que isso aconteceu", e você estiver mentindo, você ainda assim seria culpado, pois você estaria se referindo a Javé. De qualquer forma, Jesus nos ac…

Deus castiga sim

Muitas pessoas acham que Deus não castiga ninguém porque ele é amor, e que tudo de ruim que acontece com as pessoas são consequências lógicas de suas más ações.
Elas explicam que muitas pessoas adquirem câncer porque fumam muito, outras adquirem várias doenças porque se alimentam mal, outras sofrem acidentes porque se arriscam desnecessariamente, ou seja, não é Deus que está castigando essas pessoas, mas elas mesmas cometem maus atos que causam essas coisas ruins a elas.
No entanto, o que essas pessoas não consideram é que o fato de Deus permitir que as pessoas sofram as consequências de suas más ações já pode ser considerado um castigo dele, pois ele poderia livrá-las dessas consequências.
Além disso, muitas coisas ruins que acontecem com as pessoas não são consequências lógicas de suas más ações. Por exemplo: uma pessoa está andando na calçada cuidadosamente quando de repente um carro desgovernado a atropela; uma pessoa está dirigindo atentamente um carro quando de repente uma árvo…