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O que a Bíblia diz sobre aborto?



O tema aborto sempre foi uma questão polêmica, gerando debates acalorados entre diversos grupos e dividindo opiniões. Mas o que será que a Bíblia diz sobre o assunto?

Bem, a Bíblia não fala especificamente sobre o tipo de aborto ao qual estamos acostumados a ouvir falar, no qual uma mulher decide interromper a vida de seu bebê por um motivo específico. No entanto, ela fala sobre as consequências de se ferir um feto de maneira letal, veja:

"Se alguns homens brigarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, não resultando, porém, outro dano, este certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e pagará segundo o arbítrio dos juízes; mas se resultar dano, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe" (Almeida Revisada Imprensa Bíblica; Êxodo 21,22-25).

Essa passagem indica que a vida da mãe vale mais do que a vida de um feto, pois podemos ver que se o homem acabasse fazendo a mulher sofrer um aborto, sem lhe causar outro tipo de ferimento ou sua morte, ele só teria que pagar uma indenização, mas se ele acabasse causando algum tipo diferente de ferimento à mulher ou até mesmo a morte dela, ele teria que passar pela mesma situação.

De qualquer forma, não podemos usar essa passagem para afirmar que Deus considera o aborto como um pecado leve. Afinal, o aborto discutido nessa passagem não é do tipo planejado, mas sim acidental, decorrente de uma briga entre homens. É bem provável que Deus considere a prática do aborto intencional como um tipo de assassinato planejado.

Alguns alegam que não há problema em praticar o aborto nas primeiras semanas de gravidez, porque o feto ainda não está formado. No entanto, embora o feto ainda não esteja formado, ele já está em processo de formação durante esse período. Não há como sabermos se Deus permite ou não um aborto logo no início da gestação ou até que estágio da gestação ele permitiria esse aborto.

Legalização do aborto

Existem muitos grupos a favor da legalização do aborto. Esses grupos alegam que a legalização evitaria muitas mortes, já que as mulheres poderiam procurar centros especializados para abortar em vez de ir a clínicas clandestinas. Mas o que esses grupos deveriam considerar é que ao mesmo tempo em que a legalização diminuiria o número de mortes de mulheres, ela aumentaria muito o número de mortes de bebês. Afinal, se o número de abortos já é grande hoje, imagine após a legalização.

É lógico que esses grupos não veem nada de mal na prática do aborto, mas pelo ponto de vista bíblico, o ideal seria que essas mulheres mudassem de ideia e desistissem de abortar, evitando assim interromper a vida de seus próprios bebês e por em risco a própria vida. Ou seja, a legalização não é a melhor solução. A solução ideal é a conscientização dessas mulheres para que elas aceitem essa visão bíblica sobre o aborto.

Os motivos para a prática do aborto

Existem vários motivos pelos quais uma mulher decide praticar um aborto. No entanto, alguns motivos dividem opiniões, e é sobre eles que vou falar a seguir.

Aborto em caso de deficiência do bebê

Hoje, graças ao avanço da tecnologia, os casais conseguem saber com bastante antecedência se seus bebês terão alguma deficiência, com uma porcentagem baixa de erro. Por outro lado, esse avanço tecnológico fez o número de abortos aumentar, pois muitos casais decidem interromper a gravidez após descobrirem que seus filhos nascerão deficientes.

Esse é um dos tipos de aborto que mais geram revolta, porque os pais geralmente decidem interromper a vida do bebê porque não querem ter um filho deficiente e também por causa das dificuldades que teriam que enfrentar. Alguns pais podem até alegar que na verdade estão fazendo o bem, pois estão evitando que o bebê venha para este mundo de sofrimento e sofra ainda mais por causa de sua deficiência. Entretanto, esses pais precisam entender que foi Deus quem determinou que eles teriam que passar pela dificuldade de ter um filho deficiente. Se eles tentarem fugir dessa determinação praticando o aborto, Deus pode muito bem determinar uma outra dificuldade para eles passarem. Não adianta tentar fugir da vontade de Deus.

Aborto em caso de risco de morte da mãe

Nesse tipo de aborto os pais decidem interromper a vida do bebê para que a mãe não corra o risco de morrer. É uma decisão delicada, mas compreensível, uma vez que o sofrimento causado pela morte do bebê geralmente é muito menor que o sofrimento gerado pela morte da mãe. Por outro lado, sempre há uma chance de a mãe e o bebê sobreviverem. Ou seja, os pais que praticam esse tipo de aborto têm que encarar a possibilidade de estarem interrompendo a vida de seu bebê sem necessidade.

Antigamente, as pessoas não costumavam praticar esse tipo de aborto, já que os médicos não tinham tecnologia para diagnosticar os riscos que os fetos podiam causar às mães. Mas podemos nos perguntar: será que os santos casais da Bíblia praticariam esse tipo de aborto? Será que Deus considera essa prática como um pecado ou algo tolerável devido ao sofrimento que a possível morte da mãe traria a todos os familiares?

Não podemos simplesmente aplicar nesse caso o mandamento "não matarás", pois a decisão de não matar o bebê pode matar a mãe, ou até mesmo a mãe e o bebê. Não seria melhor salvar pelo menos uma vida? Os judeus ortodoxos, que conhecem muito bem a lei de Deus, ensinam que não é pecado praticar esse tipo de aborto, pois nesse caso deve-se dar preferência à vida da mãe.

Alguns podem querer simplificar dizendo que nesse caso devemos deixar nas mãos de Deus e esperar que aconteça o que ele determinar. Isso faz sentido e é totalmente aceitável, pois era assim que funcionava antigamente. Os pais só sabiam o que iria acontecer após o nascimento. Mas hoje a situação é um pouco diferente. Coloque-se no lugar de um pai que acabou de receber a seguinte notícia de um médico: "Se nós não fizermos o aborto, sua esposa terá 99% de chance de morrer durante o parto". O que você faria?

Você pode até insistir na ideia de deixar nas mãos de Deus. Mas e os outros familiares de sua esposa? Eles aceitam, assim como você, deixá-la correndo um risco enorme de morrer? Se eles não aceitam, você não estaria sendo egoísta? E sua esposa, ela quer correr esse risco? De qualquer modo, não há pecado nenhum se todos os familiares, incluindo a própria mãe que está correndo risco de vida, quiserem deixar nas mãos de Deus.

O fato é que não há como termos certeza se Deus condena ou não esse tipo de aborto.

Aborto em caso de estupro

Esse é um outro tipo delicado de aborto. Uma mulher que é estuprada geralmente não quer ter um filho de um monstro estuprador. Se ela acabar tendo esse filho, as pessoas sempre vão querer saber quem é o pai, e o filho mais cedo ou mais tarde também vai querer saber sobre o pai. Essas situações trarão a essa mulher constrangimento e também a terrível lembrança do episódio. Mesmo assim, não há como termos certeza se Deus permite ou não o aborto nesse caso. Por isso, é melhor que a mulher evite esse tipo de aborto.

Conclusão

A Bíblia não fala sobre aborto intencional e muito menos sobre as situações delicadas que vimos. De qualquer forma, o ideal é que a mulher não interrompa a vida de seu bebê.

Se você estiver pensando em fazer um aborto, pense que você está querendo interromper a vida de seu próprio filho, alguém que você muito provavelmente vai adorar receber nos braços e que você vai amar muito. Você aceitaria mandar tirar a vida de seu filho logo após ele nascer? Caso a sua resposta seja não, então por que você está querendo interromper a vida dele antes de ele nascer? Ele está aí na sua barriga, ele precisa de cuidado e amor. Não faça mal a ele. Deus certamente vai lhe recompensar por sua decisão de salvar a vida de seu filho.

Comentários

  1. Olá Bruno! Gosto de meditar nos seus estudos. Tenho uma grande duvida sobre o "Calvinismo", estou estudando sobre este assunto porém há controvérsias na bíblia, agradeço muito se postar um estudo sobre o assunto!;)

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    Respostas
    1. Olá Naty, que bom que você gosta dos meus estudos, obrigado. Então, por enquanto eu ainda não tenho interesse em escrever um estudo sobre calvinismo, mas você pode me dizer quais são suas dúvidas sobre esse assunto e tentarei lhe responder.

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